{"id":3126,"date":"2020-06-20T21:28:27","date_gmt":"2020-06-21T00:28:27","guid":{"rendered":"http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/?page_id=3126"},"modified":"2020-06-23T14:00:02","modified_gmt":"2020-06-23T17:00:02","slug":"pinheiro","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/pinheiro\/","title":{"rendered":"Pinheiro"},"content":{"rendered":"\n<p>LEI MUNICIPAL N\u00ba 122, DE 05\/06\/1998<br><strong>DECLARA O PINHEIRO &#8211; ARAUC\u00c1RIA ANGUSTIFOLIA &#8211; COMO \u00c1RVORE S\u00cdMBOLO DO MUNIC\u00cdPIO DE PASSA SETE.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PINHEIRO<\/strong><br>Sin\u00f4nimos do nome popular- Pinho, pinheiro-do-paran\u00e1, pinheiro-brasileiro, pinheiro-das-miss\u00f5es, curii, curi ou curi\u00fava (nomes ind\u00edgenas).<\/p>\n\n\n\n<p>As variedades e formas recebem os nomes seguintes: Pinheiro-preto, pinheiro-rajado, pinheiro-da-ponta-branca, pinheiro-branco, pinheiro-elegante, pinheiro-mon\u00f3ico, pinheiro-macho-f\u00eamea, pinheiro-s\u00e3o-jos\u00e9, pinheiro-caiov\u00e1, pinheiro-cajov\u00e1, pinheiro-cajuva, pinheiro-macaco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nome cient\u00edfico &#8211;<\/strong>&nbsp;Araucaria angustifolia (Bertoloni) Otto Kuntze.<br><strong>Fam\u00edlia &#8211;<\/strong>&nbsp;Araucari\u00e1ceas (Araucariaceae).<br><strong>Descri\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica &#8211;<\/strong>&nbsp;\u00c1rvore alta, de aspecto original e contrastante com as demais \u00e1rvores do Sul do Brasil, de 20 &#8211; 50 metros de altura, 1 &#8211; 2 metros ou mais de di\u00e2metro na altura do peito; Tronco perfeitamente, cil\u00edndrico, reto e raras vezes ramificado em dois ou mais; casca grossa (at\u00e9 15 cm), resinosa, cuja superf\u00edcie externa se desprende em placas, cinzento-escura. \u00c1rvores adultas com ramos dispostos em 8 &#8211; 15 vert\u00edculos cujo afastamento se reduz gradualmente at\u00e9 o \u00e1pice, restando em \u00e1rvores velhas somente uma umbela terminal. \u00c1rvores novas com copa c\u00f4nica. Ramos prim\u00e1rios cil\u00edndricos, curvos por cima, maiores ou inferiores e menores os superiores. Ramos secund\u00e1rios (grimpas) alternos, agrupados no \u00e1pice dos ramos prim\u00e1rios. Folhas 3 &#8211; 6 cm de comprimento, 4 &#8211; 10 mm de largura, simples, pouco decorrentes, soltamente imbricadas, cori\u00e1ceas, s\u00e9sseis, lanceoladas, agud\u00edssimo-pungentes, verde-escuras. Este colorido deu origem ao nome &#8220;Mata Preta&#8221; usado em Santa Catarina para a mata com pinheiros em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;Mata Branca&#8221; que indica floresta sem pinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1rvores DI\u00d3DICAS; \u00e0s vezes MON\u00d3ICAS, provavelmente por trauma ou doen\u00e7as, com flores unissexuadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Flores Masculinas em amento (localmente chamados: mingote, pinheiro, pichote, dedo, banana, charuto, sabugo), 10 &#8211; 15 cm de comprimento, por 2 &#8211; 4 cm de di\u00e2metro. Cada flor masculina \u00e9 constitu\u00edda de uma escama cori\u00e1cea, mais ou menos c\u00f4ncova, achatada, pedicelada e com 10 &#8211; 25 anteras alongadas, presas na face ventral de cada escama. Estas se abrem longitudinalmente, deixando cair o p\u00f3len sobre a escama inferior. As escamas s\u00e3o arranjadas na infloresc\u00eancia masculina em espiral e se abrem primeiramente, as da base para deixarem o p\u00f3len livre e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do vento para ser transportado at\u00e9 o estr\u00f3bilo feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Flores Femininas em estr\u00f3bilo (pinha) ou cone sub arredondado, no \u00e1pice de um raminho protegido por numerosas folhas muito pr\u00f3ximas umas das outras; ca. de 1.000 br\u00e1cteas escamiformes, cori\u00e1ceas, sem asas, com um espinho recurvo no \u00e1pice, inseridas sobre um eixo central c\u00f4nico, com base mais ou menos cil\u00edndrica; as br\u00e1cteas escamiformes f\u00e9rteis sustentam em sua base apenas um \u00f3vulo, as quais, ap\u00f3s a fecunda\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo v\u00e3o-no envolvendo, soldam seus bordos com os da br\u00e1ctea superior e comprimem as br\u00e1cteas escamiformes est\u00e9reis, \u00e0 medida que o pinh\u00e3o se envolve.<\/p>\n\n\n\n<p>Estr\u00f3bilo (pinha) de 10 &#8211; 20 cm de di\u00e2metro, com 10 &#8211; 150 sementes (pinh\u00f5es). Sementes com 3 &#8211; 8 cm de comprimento, 1 &#8211; 2 cm de di\u00e2metro, obovado-cuneiformes, lisas, achatadas, ou n\u00e3o, com \u00e1pice formado de um tecido frouxo e seco, terminando com um espinho achatado, e curvo para a base; a am\u00eandoa branca ou rosado-clara \u00e9 constitu\u00edda, principalmente de mat\u00e9ria amil\u00e1cea, envolvida pelas br\u00e1cteas ventral e dorsal, soldadas pelos seus contornos com exce\u00e7\u00e3o da base, na qual podem ficar ligadas; no centro encontra-se o embri\u00e3o com os cotil\u00e9dones brancos ou rosado-claros; cotil\u00e9dones retos ou com a extremidade dobrada, de sec\u00e7\u00e3o plano-convexa, constituem 5\/6 do comprimento do embri\u00e3o; embri\u00e3o cil\u00edndrico constitu\u00eddo ainda do hipoc\u00f3tilo e pela rad\u00edcula; na inser\u00e7\u00e3o dos cotil\u00e9dones encontra-se o pulvino meristem\u00e1tico, que formar\u00e1 o caul\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Descri\u00e7\u00e3o para f\u00e1cil reconhecimento na floresta- Tronco cil\u00edndrico, fuste comprido de 15 &#8211; 20 metros ou mais de comprimento, casca grossa, (at\u00e9 15 cm) rugosa, resinosa no inferior, a superf\u00edcie externa se desprende em placas cinzento-escuras; ramifica\u00e7\u00e3o racemosa em verticilos quase horizontais que se ramificam em abundantes ramos secund\u00e1rios constituindo as grimpas que se adensam para o \u00e1pice do caule, formando copa t\u00edpica em forma de candelabro, umbela, ta\u00e7a ou corimbo nas \u00e1rvores adultas e velhas, espalhada, formada por verticilos de ramos horizontais, guarnecidos de tufos de ramos erguidos; folhagem rija e cori\u00e1cea, verde-escura, bastante densa e muito caracter\u00edstica. Enquanto nas \u00e1rvores adultas e velhas, toda a \u00e1rvore toma a forma de uma gigantesca umbela, nas \u00e1rvores novas, a copa se apresenta na forma de alongado cone, indicando a pujan\u00e7a do crescimento ascencional.<\/p>\n\n\n\n<p>O vigor de crescimento est\u00e1 muitas vezes associado \u00e0s suas variadas formas. Assim os exemplares que crescem inteiramente livres ou isolados, apresentam ramos at\u00e9 pr\u00f3ximo ao solo, permanecendo o tronco mais curto e engrossado; por sua vez os indiv\u00edduos novos que tentam vencer a mata baixa em busca de luz, apresentam um caule exageradamente fino com copa reduzida a dois ou tr\u00eas verticilos muito distanciados e frouxos. Os exemplares plenamente desenvolvidos, verdadeiros s\u00edmbolos do vigor vegetal, possuem tronco de grossura muito uniforme at\u00e9 a copa. Nos exemplares velhos, o decl\u00ednio da pujan\u00e7a vital se patenteia num estreitamento progressivo dos verticilos apiciais, pren\u00fancio do t\u00e9rmino do seu crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fenologia &#8211;<\/strong>&nbsp;O amadurecimento do p\u00f3len e a subsequente poliniza\u00e7\u00e3o se efetua geralmente em setembro. As pinhas maduras se encontram desde fevereiro at\u00e9 dezembro, conforme as diversas variedades. A \u00e9poca do amadurecimento geral se verifica durante os meses de abril, maio e junho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dispers\u00e3o &#8211;<\/strong>&nbsp;Em tra\u00e7os gerais o pinheiro se encontra formando agrupamentos densos, principalmente na parte leste e central do planalto meridional do Brasil, abrangendo os Estados do Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ocorrendo ainda, como manchas esparsas, tamb\u00e9m no sul do Estado de S\u00e3o Paulo, e na Serra da Mantiqueira, internando-se at\u00e9 o sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entre as latitudes 25\u00ba 30\u00ba e 27\u00ba sul, o pinheiro passa para a Prov\u00edncia Argentina de Missiones. No Paraguai, diante 60 km do Rio Paran\u00e1, existe um n\u00facleo de pinheiros (com aproximadamente 500 \u00e1rvores) completamente cercado pela mata latifoliada da Bacia do Rio Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de ocorr\u00eancia do pinheiro-do-paran\u00e1 era de aproximadamente, 200.000 km\u00b2 no Brasil, ou seja duas vezes a superf\u00edcie do Estado de Santa Catarina, ou ainda a metade da superf\u00edcie do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Estado do Rio Grande do Sul o pinheiro-brasileiro ocorre principalmente no planalto leste e norte do Estado, nas nascentes do Rio dos Sinos, Rio Ca\u00ed e Taquari, bem como do Rio Jacu\u00ed. \u00c9 encontrada desde uma altitude m\u00e9dia de 500 metros, em terrenos medianamente ondulados, enquanto nos terrenos fortemente ondulados est\u00e1 sendo substitu\u00eddo pela floresta latifoliada da fralda da Serra Geral. No Munic\u00edpio de Passa Sete o pinheiro \u00e9 encontrado em matas nativas pr\u00f3ximas ao per\u00edmetro urbano, bem como nos distritos de Pitingal, Campo de Sobradinho e Murta, aparecendo tamb\u00e9m em \u00e1reas de campo, onde vem sendo preservado. Ao noroeste do Estado penetra profundamente na floresta latifoliada do Alto Uruguai alcan\u00e7ando em n\u00facleos esparsos os munic\u00edpios de Braga, Tenente Portela e Nonoai. Em sentido oeste seus guardas avan\u00e7ados se encontram em J\u00falio de Castilhos, Tupanciret\u00e3 e Mata.<\/p>\n\n\n\n<p>Reaparece no Escudo Rio-grandense, onde ocorre de forma descont\u00ednua, tendo sido observados agrupamentos nativos nos munic\u00edpios de Santana da Boa Vista, Dom Feliciano, S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul e principalmente Cangu\u00e7u, onde possivelmente se encontra o limite austral do pinheiro. No munic\u00edpio de Cangu\u00e7u encontrava-se provavelmente o maior n\u00facleo de pinhal do Escudo Rio-grandense cuja \u00e1rea era de aproximadamente 18 km de comprimento por 5 &#8211; 6 km de largura, hoje reduzido a esparsos agrupamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frequ\u00eancia e quantidade &#8211;<\/strong>&nbsp;De acordo com o est\u00e1gio de desenvolvimento do pinhal, das condi\u00e7\u00f5es ed\u00e1ficas ou ambientais, a frequ\u00eancia do pinheiro era muito vari\u00e1vel, indo sua quantidade desde apenas 1 (uma) at\u00e9 mais de 200 \u00e1rvores por hectare. As maiores concentra\u00e7\u00f5es de pinheiros se encontravam principalmente na parte oriental do planalto de Santa Catarina e no extremo oeste (S\u00e3o Domingos, S\u00e3o Louren\u00e7o e Abelardo Luz). Na regi\u00e3o dos imbuiais, n\u00e3o obstante sua elevada produtividade em madeira, a quantidade de \u00e1rvores por unidade de \u00e1rea, n\u00e3o era t\u00e3o elevada. Nesta \u00e1rea predominavam os bem desenvolvidos pinheiros com tronco grosso e muito elevado, que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos exploradores n\u00e3o s\u00f3 nacionais como tamb\u00e9m estrangeiros, que em menos de 2 s\u00e9culos praticamente exauriram a maior riqueza de madeiras da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Vitalidade com indica\u00e7\u00e3o para o tipo de cultivo e informa\u00e7\u00f5es sobre a reprodu\u00e7\u00e3o &#8211; Estudando-se mais detidamente a ocorr\u00eancia irregular dos bosques de pinho, atrav\u00e9s das diferentes manchas de campos, existentes no planalto do Estado de Santa Catarina, de pronto um fato chama a aten\u00e7\u00e3o: \u00c9 a irradia\u00e7\u00e3o dos pinheiros como elementos isolados por sobre os campos limpos, formando agrupamentos, de in\u00edcio bastante esparsos, que v\u00e3o tornando-se cada vez mais densos, at\u00e9 constituir os cap\u00f5es de pinhais t\u00e3o caracter\u00edsticos, principalmente nos campos de S\u00e3o Joaquim e Bom Jardim, onde esta irradia\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o s\u00e3o mais percept\u00edveis e vigorosos. O Pinheiro ocupa preferencialmente as depress\u00f5es dos campos, cursos d\u2019\u00e1gua, onde se iniciam os cap\u00f5es e matas de galeria, que se estendem por quase todos os campos. Desta forma podemos afirmar, que praticamente todos os campos, s\u00e3o atravessados pelos bosques de pinho, encontrando-se nas mais variadas formas de aglomera\u00e7\u00f5es e desenvolvimento, desde os cap\u00f5es de poucos exemplares, at\u00e9 as pujantes matas de galeria ao longo dos rios maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Merecendo este comportamento do pinheiro, um estudo, ficou evidenciado o fato, de que mesmo, representa no clima atual, uma esp\u00e9cie pioneira e heli\u00f3fita e n\u00e3o uma dominante no sentido din\u00e2mico, se bem que atualmente ainda, \u00e9 uma \u00e1rvore mais importante e expressiva no sentido fitofision\u00f4mico, em vasta \u00e1rea do planalto, servindo por si s\u00f3 para caracterizar esta forma\u00e7\u00e3o vegetal.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas mais acuradas, levadas a efeito, com o objetivo de determinar o &#8220;habitat preferencial&#8221; da Araucaria angustifolia e a composi\u00e7\u00e3o das diferentes associa\u00e7\u00f5es vegetais da mata preta, demonstram que realmente todas se encontram em fases de desequil\u00edbrio e consequentemente em est\u00e1gios sucessionais, mais ou menos pronunciados.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim se pode averiguar, que em muitas partes, onde as condi\u00e7\u00f5es ed\u00e1ficas se mostram favor\u00e1veis \u00e0 instala\u00e7\u00e3o duma vegeta\u00e7\u00e3o arbustiva ou arb\u00f3rea, se constatam \u00e0s centenas, como numa grande exposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica todas as fases de forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos cap\u00f5es desde os constitu\u00eddos por apenas algumas dezenas de arbustos, at\u00e9 os bosques de tamanhos consider\u00e1veis, contendo centenas de pinheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes, a linha de separa\u00e7\u00e3o entre a vegeta\u00e7\u00e3o arbustiva e os campos \u00e9 bastante n\u00edtida, dando os contornos suaves e arredondados dos pinheiros, a estes agrupamentos, um aspecto t\u00edpico e muito caracter\u00edstico para toda a regi\u00e3o dos campos planaltinos do Sul do Brasil. A localiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o causal de muitos n\u00facleos de pinheiros pelos campos quer nas baixadas \u00famidas, quer nas encostas, como n\u00e3o raro tamb\u00e9m at\u00e9 nos pr\u00f3prios topos das eleva\u00e7\u00f5es, nos sugerem, que o pinheiro, est\u00e1 em franca irradia\u00e7\u00e3o por sobre a vegeta\u00e7\u00e3o herb\u00e1cea dos campos, formando o in\u00edcio duma s\u00e9rie sucessional, tendente ao cl\u00edmax clim\u00e1tico regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando-se o fen\u00f4meno da irradia\u00e7\u00e3o dos pinheiros por sobre os campos, constata-se que a sucess\u00e3o vegetal, tende geralmente para as seguintes dire\u00e7\u00f5es: Inicialmente se formam os come\u00e7os dos cap\u00f5es nas pequenas depress\u00f5es, beira de cursos d\u2019\u00e1gua, origem de fontes ou outros locais mais favor\u00e1veis. As esp\u00e9cies pioneiras e heli\u00f3fitas, portanto as respons\u00e1veis pelos est\u00e1gios iniciais, podem ser muito distintas, dependendo de diversos fatores bastante complexos, ainda n\u00e3o suficientemente esclarecidos, mas onde os de origem ed\u00e1fica, geogr\u00e1fica e as altitudes, devem desempenhar papel bastante relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em altitudes maiores, acima de 1.100 m, S\u00e3o Joaquim (SC), verifica-se muitas vezes, que tanto nos campos \u00famidos, bem como nos enxutos, o pinheiro penetra como esp\u00e9cie pioneira, formando a princ\u00edpio associa\u00e7\u00f5es puras pouco densas, sendo ent\u00e3o invadidas pelas esp\u00e9cies caracter\u00edsticas das submatas dos pinhais. Estes cap\u00f5es se caracterizam pela grande abund\u00e2ncia e densidade de pinheiros, os quais se encontram em todas as fases de desenvolvimento, bem como pelas sucessivas invas\u00f5es de esp\u00e9cies esci\u00f3fitas no subosque, com tend\u00eancias sucessionais, fato evidenciado pelo dinamismo t\u00e3o diversificado nas diversas esp\u00e9cies componentes (est\u00e1gios: invas\u00e3o de umas, madurezas de outras e finalmente substitui\u00e7\u00e3o das primeiras).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros locais e onde as altitudes s\u00e3o menores (800 &#8211; 1.100 m), os in\u00edcios dos cap\u00f5es e suas periferias s\u00e3o formadas principalmente pelas esp\u00e9cies pioneiras e heli\u00f3fitas, sendo que posteriormente se instalam as esci\u00f3fitas. Estas \u00faltimas, v\u00e3o gradativamente eliminandoe substituindo as esp\u00e9cies heli\u00f3fitasmais exigentes, proporcionando paulatinamente um ambiente prop\u00edcio \u00e0 posterior infiltra\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das esp\u00e9cies esci\u00f3fitas mais tolerantes e portanto indicadoras \u00f3timas dos est\u00e1gios mais evolutivos em sentido ao &#8220;cl\u00edmax&#8221; clim\u00e1tico regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessante \u00e9 observar ainda, que muitas vezes, as fases iniciais dos cap\u00f5es s\u00e3o formadas, quase exclusivamente por uma ou duas esp\u00e9cies apenas. Assim por exemplo, nas fases iniciais os cap\u00f5es existentes nos campos de Curitibanos, Campos Novos e Lebon R\u00e9gis (SC), Bom Jesus, Vacaria e Lagoa Vermelha (RS), s\u00e3o constitu\u00eddos quase unicamente pela Myrcia bombicyna (guamirim-do-campo), que por vezes vem invadindo os campos em largas \u00e1reas, como claramente pode ser observado em Lebon R\u00e9gis e Curitibanos. Por outro lado em S\u00e3o Joaquim, o in\u00edcio dos cap\u00f5es \u00e9 formado quase sempre pela Myrceugenia euosma (cambuizinho), enquanto nos aparados da serra Geral a esp\u00e9cie mais importante \u00e9 Siphoneugena reitzii (cambu\u00ed). Em Duas Pontes (Campos Novos, SC) se verificam cap\u00f5es cujos in\u00edcios se devem ao Schinus weinmannifolius (aroeirinha-do-campo), sendo que nos campos ao norte de Ca\u00e7ador, os cap\u00f5es em vias de forma\u00e7\u00e3o, tem sua origem principalmente em Rex dumosa (ca\u00fana), Lithraea brasiliensis (aroeira) ou Drimys brasiliensis (casca d\u2019anta).<\/p>\n\n\n\n<p>Outras vezes, diversas esp\u00e9cies v\u00eam formando quase simultaneamente a primeira fase dos cap\u00f5es (\u00e9 o caso mais comum), que preparam o terreno e o microclima para a instala\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies esci\u00f3fitas e mais exigentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que os cap\u00f5es v\u00e3o-se desenvolvendo, as esp\u00e9cies pioneiras s\u00e3o recha\u00e7adas para a periferia, apresentando-se o centro dos mesmos com uma vegeta\u00e7\u00e3o bastante desenvolvida. Quando os cap\u00f5es tiverem atingido um desenvolvimento regular, verifica-se a instala\u00e7\u00e3o de exemplares jovens de Ocotea pulchella (canela-lageana), ao lado outras laur\u00e1ceas, que v\u00e3o se tornando mais expressivas, \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que as esp\u00e9cies hili\u00f3fitas mais exigentes v\u00e3o sendo eliminadas do centro para a periferia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo exposto ficou claramente evidenciado ser o pinheiro-do-paran\u00e1 uma esp\u00e9cie pioneira e, portanto, muito apropriada para o reflorestamento em campo aberto. Se at\u00e9 o momento os resultados de reflorestamento nem sempre corresponderam \u00e0s expectativas, isto se deve a falhas nos m\u00e9todos empregados ou na falta de melhores informes ecol\u00f3gicos desta esp\u00e9cie, sobretudo no que concerne ao &#8220;habitat&#8221;, \u00e0 qualidade e profundidade dos solos, ao clima e a outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>As pinhas produzem em m\u00e9dia 60 &#8211; 80 pinh\u00f5es f\u00e9rteis, que adequadamente tratadas, germinam na totalidade de forma bastante uniforme.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1reas mais apropriadas para o reflorestamento do pinheiro-brasileiro n\u00e3o se encontram nos campos do Planalto e sim nas \u00e1reas de contato do pinheiro com a floresta latifoliada, uma vez que nestas \u00e1reas a agressividade das esp\u00e9cies pioneiras da floresta latifoliada impedem a regenera\u00e7\u00e3o natural do pinheiro, embora esta fosse a \u00e1rea cl\u00edmax do mesmo. \u00c9 por isso que se recomenda o reflorestamento do pinheiro em primeira linha, n\u00e3o nos campos, onde o pinheiro ocorre como elemento pioneiro, e sim nos terrenos mediana e fortemente ondulados da Serra Geral, recentemente ocupados preferencialmente pela floresta latifoliada e onde se encontram solos mais ricos em h\u00famus e uma maior variabilidade em macro e micronutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Arauc\u00e1ria, \u00e9 conveniente a abertura de picadas de 1 metro de largura, distanciados de 3 em 3 metros e depositar duas sementes em covas afastadas uma das outras por 1,5 &#8211; 2 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>O plantio direto assim feito, em covas, colocando-se 2 a 3 pinh\u00f5es, com 2 a 3 cm de profundidade, n\u00e3o \u00e9 oneroso e valoriza extraordinariamente a propriedade. Esses plantios podem ser feitos aos poucos em cada ano, \u00e0 medida em que novas \u00e1reas v\u00e3o sendo abandonadas, e assim aproveitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pinh\u00f5es amadurecem nos meses de abril a junho, devendo ser plantados a partir desta \u00e9poca, at\u00e9 o m\u00eas de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existem terras esgotadas em abandono, refloreste-a e legue a seus descendentes beleza, sa\u00fade e riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo preliminar qualitativo: Descri\u00e7\u00e3o da madeira &#8211; Peso espec\u00edfico: 0,50 a 0,61. Cor do lenho: alburno, normalmente amarelado, \u00e0s vezes quase branco; cerne, tamb\u00e9m amarelado, com tonalidades r\u00f3seas, vermelhas ou levemente pardacentas. Frequentemente, em consequ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o de agentes externos ou de traumatismos, o lenho \u00e9 alterado na sua cor, apresentando, ent\u00e3o, largas manchas, ora avermelhadas, ora pardo-desmaiadas, ora pardo-acastanhadas, as quais, pela sua extens\u00e3o e aspecto quase uniforme, passam a apresentar a cor pr\u00f3pria do pinho. Disso resulta a suposi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de mais de uma variedade nessa esp\u00e9cie. Superf\u00edcie: lisa ao tato e medianamente lustrosa. Textura: uniforme. Gr\u00e3 em regra, direita. Cheiro e sabor: ligeiramente resinosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresenta fibras extraordinariamente compridas cujo comprimento m\u00e1ximo \u00e9 de 5.800 micra e o comprimento m\u00ednimo de 73 micra, perfazendo portanto uma m\u00e9dia de 3.874 micra. As larguras das fibras est\u00e3o compreendidas entre 73 a 22 micra com uma m\u00e9dia de 39 micra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os raios medulares s\u00e3o sempre unisseriados, homog\u00eaneos, variando sua altura entre 1 a 13 c\u00e9lulas (m\u00e9dia 6 c\u00e9lulas).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Emprego &#8211;<\/strong>&nbsp;Os pinheiros novos, muito elegantes, s\u00e3o usados para &#8220;\u00e1rvore de Natal&#8221;, ornamentando com cunho nacional os nossos lares pelas Festas de Fim de Ano. Presta-se para expressivo adorno de jardins e parques.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pinh\u00f5es fornecem alimento nutritivo e apreciado por homens e animais. Os \u00edndios botocudos tinham neles uma alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Usavam at\u00e9 um tipo especial de flecha, chamada virote, para debulhar as pinhas presas \u00e0s \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sem d\u00favida, o uso mais importante \u00e9 o da madeira, usualmente denominado pinho-do-brasil epinho-do-paran\u00e1 (Parana Pine, no exterior). Na economia brasileira \u00e9 de import\u00e2ncia b\u00e1sica, pois em muitos anos, como o de 1964, a madeira ocupou o 4\u00ba lugar na pauta dos produtos brasileiros de exporta\u00e7\u00e3o. Cerca de 90% desta madeira exportada foi pinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os usos s\u00e3o taboado, vigamentos, pranch\u00f5es, caixas, m\u00f3veis, cabos de vassoura e de ferramentas, palitos de dentes e de f\u00f3sforo, fabrica\u00e7\u00e3o de compensados, pasta mec\u00e2nica e celulose, papel, mat\u00e9ria pl\u00e1stica, l\u00e3 de seda artificial, instrumentos de m\u00fasica, instrumentos de adorno, artigos de esporte, separadores para acumuladores, caixas de resson\u00e2ncia de piano, tacos de n\u00f3s, mour\u00f5es, telhas de taboinhas, etc.. Os galhos e o refugo, e especialmente o &#8220;n\u00f3 de pinho&#8221; servem para lenha e combust\u00edvel de caldeiras. O mesmo n\u00f3 de pinho convenientemente preparado serve para bel\u00edssimas obras art\u00edsticas de tornearia e escultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, em suma, da madeira mais preciosa do Brasil e da Am\u00e9rica do Sul com as mais variadas aplica\u00e7\u00f5es e que apresenta um crescimento muito vigoroso e, portanto deve ser preservado e reflorestado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3131\" srcset=\"http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1.jpg 1024w, http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1-300x225.jpg 300w, http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1-768x576.jpg 768w, http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1-195x146.jpg 195w, http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1-50x38.jpg 50w, http:\/\/passasete.rs.gov.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/47346317-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LEI MUNICIPAL N\u00ba 122, DE 05\/06\/1998DECLARA O PINHEIRO &#8211; ARAUC\u00c1RIA ANGUSTIFOLIA &#8211; COMO \u00c1RVORE S\u00cdMBOLO DO MUNIC\u00cdPIO DE PASSA SETE. 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